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Idade de abate de bovinos cai para 18 meses no país

O setor pecuário brasileiro vive uma transformação estrutural no campo. A adoção de novas tecnologias e o melhoramento genético têm reduzido drasticamente a idade de abate de bovinos no país.
Em propriedades de alta performance, o ciclo produtivo recuou de 36 para apenas 18 meses. Essa mudança eleva a rentabilidade do produtor e atende às exigências do mercado internacional.
Genética e nutrição aceleram o ciclo produtivo
Especialistas apontam que o encurtamento do ciclo deixou de ser tendência para virar regra de sobrevivência financeira. Eduardo Cavaguti, consultor da Trouw Nutrition, destaca o ganho em produtividade.
Segundo ele, antecipar a terminação eleva a taxa de desfrute do rebanho de 33% para até 50%. Na prática, o pecuarista produz mais arrobas utilizando o mesmo espaço de terra.
Pesquisas da Embrapa Pecuária Sudeste validam esse avanço. O especialista Geraldo Maria da Cruz explica que o cruzamento industrial somado a dietas ricas no cocho gera excelentes resultados.
Nesse sistema, animais cruzados atingem cerca de 300 kg logo aos 15 meses de vida. O cenário contrasta com o modelo tradicional extensivo, onde o boi levava três anos e meio para o abate.
Avanço das dietas intensivas e do confinamento
O modelo dependente do clima e da sazonalidade das chuvas perde espaço para a terminação intensiva. Dados da expedição Confina Brasil, da Scot Consultoria, mostram a força dessa mudança no ciclo 2025/2026.
Estima-se que quase 31% dos bovinos enviados aos frigoríficos brasileiros já passam pelo cocho. Essa tendência de intensificação é confirmada por estudos de longo prazo da Cargill.
Felipe Bortolotto, líder da Cargill, relata que o peso de entrada na terminação recua cerca de 1 kg por ano. Isso prova o foco do produtor no giro rápido do plantel.
Como ajuste, o período do gado no confinamento subiu de 112 dias para a faixa de 120 a 150 dias. O padrão se assemelha ao modelo de alta eficiência da pecuária norte-americana.
Raio-X regional da redução no tempo de abate
A queda na idade de abate de bovinos ocorre em todo o país, com liderança do Centro-Oeste. Em Mato Grosso, o Imea indica que 44% dos bovinos abatidos até o primeiro quadrimestre de 2026 tinham até 24 meses.
O número representa um salto histórico frente aos 2% registrados em 2006. Em Mato Grosso do Sul, a Famasul também aponta maioria de abates na categoria superjovem, entre 13 e 24 meses.
No Sul, o movimento se repete. Dados da Epagri e da Cepa apontam forte redução no abate de animais acima de 36 meses em Santa Catarina, abrindo espaço definitivo para os novilhos precoces.
Mercado externo e eficiência sustentável
A demanda internacional, impulsionada pelo mercado chinês, acelerou esse pacote tecnológico. A China exige animais com menos de 30 meses por questões sanitárias e paga bônus por essa precocidade.
Frigoríficos de grande porte já se adaptam a essa realidade. Eduardo Pedroso, diretor da JBS, afirma que a companhia trabalha para para padronizar seus abates ao redor dos 20 meses de idade.
Para viabilizar a velocidade produtiva, o pecuarista aposta na Integração Lavoura-Pecuária (ILP). A Fazenda Rio Manso, em Campo Verde (MT), une grãos, floresta e pastagens de alta lotação.
Associando a ILP à Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e à recria intensiva, a propriedade consegue realizar o abate de suas novilhas exatamente aos 18 meses.
Impacto direto na qualidade da carne brasileira
Rodrigo Gomes, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, ressalta que toda a cadeia ganha com o ciclo curto. Dietas de alta energia evitam o enrijecimento muscular comum em animais mais velhos.
Para o produtor, o resultado é a entrega de uma carne com gordura clara e maciez superior. O avanço consolida a liderança do Brasil no mercado global de proteína bovina.

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