
Agro exporta US$ 38 bi e bate recorde no trimestre
Agro brasileiro registra desempenho histórico no 1º trimestre
O agronegócio brasileiro iniciou 2026 com resultado recorde nas exportações. Entre janeiro e março, o setor somou US$ 38,1 bilhões em vendas externas, alta de 0,9% em relação ao mesmo período de 2025.
As importações recuaram 3,3%, totalizando US$ 5 bilhões. Com isso, o superávit da balança do agro chegou a US$ 33 bilhões, crescimento de 1,8% na comparação anual.
Abertura de mercados impulsiona vendas externas
A ampliação de mercados internacionais foi um dos principais motores do desempenho.
Somente no primeiro trimestre, o Brasil abriu 30 novos destinos para produtos agropecuários. Desde 2023, já são 601 aberturas, ampliando o alcance global da produção nacional.
Apesar do aumento de 3,8% no volume exportado, os preços médios caíram 2,8%, pressionados por commodities como açúcar, algodão, milho e farelo de soja.
China lidera e novos mercados ganham relevância
A China manteve a liderança entre os destinos, com US$ 11,33 bilhões e participação de 29,8%, crescimento de 4,7%.
Na sequência aparecem União Europeia (US$ 5,67 bilhões) e Estados Unidos (US$ 2,24 bilhões).
Além dos mercados tradicionais, países como Índia, Filipinas, México, Tailândia, Japão, Chile e Turquia ampliaram as compras e ajudaram a sustentar o crescimento.
Soja e carnes puxam exportações do agro
Os principais segmentos exportadores seguem concentrados em grãos e proteínas animais.
Confira os destaques do trimestre:
Complexo soja lidera com folga
O setor somou US$ 12,13 bilhões, equivalente a 31,8% das exportações, com alta de 11,5%.
Proteínas animais ganham força
As exportações chegaram a US$ 8,12 bilhões (21,3%), avanço expressivo de 21,8%.
Outros segmentos
- Produtos florestais: US$ 3,94 bilhões (-10,1%)
- Café: US$ 3,32 bilhões (-19,2%)
- Complexo sucroalcooleiro: US$ 2,33 bilhões (-22,4%)
- Cereais e derivados: US$ 2,08 bilhões (+8,6%)
Carnes e grãos registram recordes
O trimestre foi marcado por recordes em produtos estratégicos.
A carne bovina in natura alcançou US$ 3,98 bilhões (+37,3%) e 702 mil toneladas (+19,7%). Já a carne suína somou US$ 846 milhões (+16,4%) e 336 mil toneladas (+15,3%).
Entre os grãos, houve recorde de volume para soja (23,47 milhões de toneladas), farelo de soja (5,43 milhões) e algodão (935 mil toneladas).
Diversificação ganha espaço no agro
Produtos menos tradicionais também avançaram nas exportações.
Itens como pimenta seca, feijões, arroz, miúdos de frango, bovinos vivos e ração para pets ganharam mercado. Houve ainda crescimento em feno e erva-mate, impulsionados pela abertura de novos destinos.
Março concentra quase metade das exportações do país
Somente em março, o agro exportou US$ 15,41 bilhões, respondendo por 48,8% das vendas externas brasileiras no mês.
As importações ficaram em US$ 1,87 bilhão, com superávit mensal de US$ 13,54 bilhões.
No período, o volume embarcado recuou 0,8%, enquanto os preços médios tiveram leve alta de 0,1%.
Novos produtos ampliam presença internacional
Em março, diversos produtos atingiram recordes de exportação.
Entre eles estão feijões, amendoim, óleo de milho, cerveja, chocolate, melancia, fumo manufaturado, essências de madeira e alimentos para cães e gatos.
O movimento reforça a estratégia de diversificação da pauta exportadora brasileira.
Novo mercado no Chile fortalece cadeia do milho
O Brasil também abriu mercado no Chile para exportação de grãos secos de destilaria (DDG/DDGS), subproduto do etanol de milho.
O insumo é utilizado na alimentação de aves, bovinos e suínos, ampliando oportunidades para a cadeia do milho.
Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 2,2 bilhões em produtos agropecuários para o Chile, com destaque para carnes, produtos florestais e soja.
O que isso significa para o produtor
O cenário reforça a força do agro brasileiro no mercado internacional, com demanda firme por grãos e proteínas.
A abertura de mercados amplia oportunidades de venda e pode sustentar preços, mesmo diante da queda em algumas commodities.
Para o produtor, o momento exige atenção à qualidade, rastreabilidade e competitividade, fatores cada vez mais decisivos para acessar mercados e garantir rentabilidade.

