
Trigo mantém preços firmes no Brasil e avança no exterior com seca nos EUA
Oferta restrita no Sul e clima adverso nos Estados Unidos sustentam valorização do cereal no mercado interno e internacional
O mercado do trigo segue operando em cenário de forte sustentação de preços, tanto no Brasil quanto no exterior. A combinação entre baixa oferta na região Sul e fatores climáticos e geopolíticos globais mantém o cereal em trajetória de valorização.
De acordo com análises da TF Agroeconômica, o ambiente doméstico é marcado por negociações pontuais e baixa liquidez, enquanto, no cenário internacional, a seca nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos impulsiona as cotações na Bolsa de Chicago.
Oferta limitada sustenta preços no Brasil
No mercado brasileiro, especialmente no Sul do país, os preços permanecem firmes devido à entressafra e à disponibilidade reduzida do grão.
No Rio Grande do Sul, a comercialização segue lenta, influenciada pelo avanço da colheita da soja, que reduz o ritmo das negociações. As indicações de compra variam entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada, enquanto os produtores pedem entre R$ 1.350 e R$ 1.400.
A oferta estimada em cerca de 260 mil toneladas é considerada insuficiente para atender a demanda até a próxima safra, prevista para outubro, o que reforça a necessidade de importações.
No mercado de balcão, houve valorização recente, com alta de 3,51% em Panambi, onde a saca atingiu R$ 59.
Sul do país registra ajustes e busca por produto regional
Em Santa Catarina, cresce a participação de trigo vindo de outros estados. O produto local gira em torno de R$ 1.300 por tonelada, enquanto lotes do Paraná e do Rio Grande do Sul chegam a R$ 1.400.
Os preços ao produtor apresentam variações regionais, refletindo ajustes conforme a demanda da indústria moageira.
No Paraná, os moinhos seguem abastecidos no curto prazo, com negociações próximas de R$ 1.300 por tonelada. No interior, as cotações chegam a R$ 1.400, enquanto vendedores mantêm pedidas mais elevadas.
Para contratos de médio prazo, especialmente para maio e junho, há expectativa de preços mais baixos, influenciados pela valorização do real. Ainda assim, o mercado disponível continua firme.
Seca nos EUA impulsiona cotações internacionais
No cenário externo, os preços do trigo registraram alta expressiva na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), com ganhos superiores a 2% nos contratos mais negociados.
O principal fator de sustentação é o avanço da seca nas regiões produtoras dos Estados Unidos, especialmente nas Planícies, onde o clima seco compromete o desenvolvimento das lavouras e eleva o risco produtivo.
Geopolítica e oferta global seguem no radar
Além das condições climáticas, o mercado acompanha tensões no Oriente Médio, que impactam o preço do petróleo e aumentam a volatilidade das commodities agrícolas.
Outro ponto de atenção é a Argentina, importante exportadora global. A Bolsa de Buenos Aires projeta uma área de 6,5 milhões de hectares para a safra 2026/27, uma redução de 3% em relação ao ciclo anterior.
Demanda dos EUA segue dentro das expectativas
No campo da demanda, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou que as vendas líquidas de trigo para a safra 2025/26 somaram 129 mil toneladas na semana encerrada em 16 de abril.
Para a temporada 2026/27, foram registradas mais 8 mil toneladas. O volume total ficou dentro das projeções do mercado, que variavam entre 100 mil e 500 mil toneladas.
Cotações fecham em alta em Chicago
Os contratos futuros do trigo encerraram o pregão em alta na CBOT:
- Maio: US$ 6,10 3/4 por bushel (+1,91%)
- Julho: US$ 6,20 1/4 por bushel (+2,18%)
Tendência segue de atenção e volatilidade
O mercado global e doméstico do trigo permanece em um ambiente de sustentação de preços, impulsionado pela baixa oferta no Sul do Brasil e pelos riscos climáticos nos Estados Unidos.
Com estoques ajustados e demanda firme, a tendência é de manutenção da volatilidade, exigindo atenção redobrada dos produtores e agentes do setor nos próximos meses.

