
Exportações de soja do Brasil crescem 5,9% no 1º trimestre e Mato Grosso lidera embarques
O Brasil embarcou 23,46 milhões de toneladas de soja entre janeiro e março de 2026, aumento de 5,93% na comparação anual, impulsionado pela colheita antecipada e pela forte oferta disponível para exportação. Mato Grosso consolidou a liderança no ranking de exportadores, com 4,84 milhões de toneladas embarcadas no período, enquanto a China mantém o protagonismo como principal comprador, mesmo com ajustes pontuais nas compras.
Mercado externo e demanda internacional
O cenário externo segue marcado pela dependência da China, que respondeu por 2,99 milhões de toneladas dos embarques de Mato Grosso no primeiro trimestre, apesar de uma retração de 10,39% nas compras em março frente ao mesmo mês de 2025. Essa correção é atribuída a ajustes transitórios nas compras e a suspensões temporárias de embarques por algumas tradings, sem indicar mudança estrutural de demanda.
Outros destinos ganharam relevância na rota da soja brasileira, com destaque para Espanha e Turquia, reforçando a diversificação da demanda para o óleo e a farinha. A combinação de preço competitivo e maior oferta global mantém o Brasil como fornecedor estratégico em um ano em que a demanda asiática continua sendo o principal vetor de sustentação dos volumes de exportação.
Avanço da colheita e logística interna
No mercado interno, o ritmo acima da média da colheita da 1ª safra de soja ampliou a disponibilidade de grão para exportação logo no início do segundo trimestre. A maior oferta em portos e corredores de escoamento, como Paranaguá e Santos, permitiu maior encaixe de navios e maior liquidez para contratos de exportação, favorecendo elevação de volumes principalmente em março.
Mato Grosso, principal estado produtor e exportador, ampliou sua participação proporcional na pauta nacional, com aumento de 4,39% na exportação em 12 meses. A robusta safra e a infraestrutura logística consolidada do estado – incluindo rodovias, ferrovias e terminais de grãos – reforçam o papel central de MT na cadeia de soja brasileira.
Preços e equilíbrio entre oferta e demanda
No curto prazo, a forte oferta típica do período de colheita pressiona os preços internos, especialmente em março, quando os embarques alcançaram 14,52 milhões de toneladas, um salto de 105,29% ante fevereiro. Esse aumento de volumes no porto tende a ampliar a concorrência entre produtores e traders, reduzindo o prêmio sobre a referência de Chicago.
Por outro lado, a demanda internacional consistente, liderada pela China e complementada por Europa e Oriente Médio, limita quedas mais acentuadas e mantém o mercado relativamente equilibrado. Para o produtor que optou por parcialmente manter contratos de hedge, o cenário favorece controle de risco, sem descartar oportunidades pontuais de venda quando o câmbio se fortalece.
Indicadores chave do 1º trimestre
Exportações brasileiras de soja (jan–mar/2026): 23,46 milhões de toneladas
Variação anual: +5,93%
Embarques em março: 14,52 milhões de toneladas
Crescimento mensal (mar/26 vs. fev/26): +105,29%
Exportações de Mato Grosso (jan–mar/2026): 4,84 milhões de toneladas
Variação anual do estado: +4,39%
Compras da China de soja de Mato Grosso no período: 2,99 milhões de toneladas
Perspectiva para os próximos meses
A expectativa é de manter volumes elevados de exportação nos próximos meses, sustentados pela oferta ampla da safra 2025/26 e pela demanda estável da China, além de novos mercados complementares. Para o produtor, o cenário reforça a importância de planejar escoamento e comercialização com antecedência, aproveitando janelas de preço competitivas e protegendo parte da produção com hedge futuro, especialmente em ambientes de câmbio volátil e concorrência com oferta norte‑americana.
Com isso, o Brasil tende a manter posição estratégica no comércio global de soja em 2026, com Mato Grosso como principal polo de embarque e a China como principal eixo de demanda externa.

