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Milho no RS encerra safra com produtividade acima de 7,4 t/ha e pressão logística

O milho gaúcho entra na reta final de colheita com produção estimada em 5,96 milhões de toneladas e produtividade média de 7,424 t/ha, marca acima da média histórica em pleno ciclo de oferta interna e externa. Apesar do desempenho técnico positivo, chuvas recorrentes nas últimas semanas elevaram a umidade dos grãos, encareceram a pós‑colheita e demandam gestão mais rigorosa de qualidade e armazenagem.

Mercado externo e oferta global

O cenário internacional segue volátil, com atenções divididas entre a evolução da colheita na América do Sul e o ritmo das exportações dos Estados Unidos. A contribuição do Rio Grande do Sul para a oferta global é relativamente menor frente ao Centro‑Oeste, mas o calendário de escoamento de grãos via portos brasileiros ganha relevância à medida que a safra local se consolida.

A regularidade climática observada no período de enchimento de grãos no Sul do Estado ajuda a sustentar expectativas de produtividade compatíveis com projeções iniciais, o que pode colaborar para maior equilíbrio de oferta global, especialmente para embarques entre abril e maio.

Colheita avançada, mas com clima como freio

Conforme dados da Emater/RS‑Ascar, a colheita do milho grão no Estado atinge 90% dos 803.019 hectares cultivados na safra 2025/26, deixando cerca de 10% das áreas em lavouras fora da janela ideal, ainda em fases reprodutivas ou de enchimento de grãos. A última semana registrou atraso na colheita principalmente na Metade Sul, devido à ocorrência de chuvas que mantiveram a umidade dos grãos elevada e complicaram a operação de máquinas.

As precipitações recorrentes desde março favoreceram o desenvolvimento das lavouras mais tardias, consolidando o potencial produtivo, mas exigem maior atenção à colheita seletiva e à programação de pós‑colheita. Para o milho destinado à silagem, a colheita também está praticamente concluída, com 87% da área de 345.299 hectares colhida, porém a alta umidade compromete a qualidade da ensilagem e eleva o risco de fermentação inadequada.

Preços, umidade e custos de pós‑colheita

No mercado interno, os preços do milho tendem a refletir, de forma direta, o avanço da colheita e a qualidade do produto captado. A umidade elevada em diversos polos gaúchos pode gerar descontos na comercialização ao varejo de indústrias e de exportação, além de aumentar o custo de secagem e, consequentemente, espremer a margem por saca.

Ao mesmo tempo, a produtividade média de 7,424 t/ha contribui para equilibrar a oferta regional, segurando pressões inflacionárias mais intensas para setores como suinocultura, avicultura e indústria de ração. Para o produtor, a combinação entre alto rendimento e menor qualidade pontual passa a exigir maior disciplina na segregação de lotes, principalmente na definição de destinos entre silagem, grãos secos e possíveis contratos de exportação.

Indicadores chave da safra 2025/26

  • Milho grão (RS):

    • Área cultivada: 803.019 hectares

    • Área colhida: 90%

    • Produtividade média: 7.424 kg/ha

    • Produção estimada: 5,96 milhões de toneladas

  • Milho silagem (RS):

    • Área: 345.299 hectares

    • Colheita: 87%

    • Produtividade média: 37.840 kg/ha

  • Soja (RS):

    • Área cultivada: 6,62 milhões de hectares

    • Colheita: 68%

    • Produtividade média: 2.871 kg/ha

  • Feijão 1ª safra:

    • Área: 23.029 hectares

    • Produtividade média: 1.781 kg/ha

  • Feijão 2ª safra:

    • Área: 11.690 hectares

    • Produtividade média: 1.401 kg/ha

  • Arroz irrigado (RS):

    • Área: 891.908 hectares

    • Colheita: 88%

    • Produtividade média: 8.744 kg/ha

Conexão com outras culturas no Estado

A reta final da colheita do milho ocorre em sincronia com seguimentos distintos de outras commodities. A soja gaúcha avança de forma mais lenta, com colheita em 68% da área e produtividade média de 2.871 kg/ha, refletindo variabilidade de rendimento decorrente do regime irregular de chuvas ao longo do ciclo.

O arroz irrigado, por outro lado, mantém bom desempenho, com produtividade acima de 8,7 t/ha e colheita em 88% da área, favorecendo a liquidez das regiões produtoras. Já o feijão, tanto na primeira quanto na segunda safra, evidencia forte dependência de irrigação e gestão de calendário, com produtividades próximas de 1,7 t/ha e 1,4 t/ha, respectivamente.

Perspectiva para as próximas semanas

Nos próximos dias, o produtor gaúcho deve voltar a focar na gestão de umidade, armazenagem e fluxo de grãos para minimizar perdas pós‑colheita e proteger a rentabilidade. Ainda que a produtividade média do milho esteja acima da média histórica, a volatilidade internacional e a pressão sobre o câmbio continuam a exigir disciplina em estratégias de hedge e diversificação de canais, especialmente para áreas com maior qualidade de grão.

O curto prazo tende a ser marcado por ajustes de preço locais, decisões de escoamento e maior atenção à previsão de chuvas na Metade Sul, não apenas para concluir a colheita do milho, mas também para finalizar a janela de colheita da soja e da safra arrozeira, em um cenário de margens ainda relativamente apertadas.

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